quinta-feira, 12 de maio de 2011

Olhando no espelho

Sou humana como você,
sinto as dores e os dissabores.
Entediam-me as discusões que transtornam, que nada engrandecem
que partem de indivíduos sedentos...
ávidos em apenas querer medir força
sem sentido, sem porquê.
Luto, desvairadamente, por causas que indignam a minha alma
cujo a tirania atinge os inocentes
que edificam, com covardia, a selva sem lei em que hoje habitamos.
Penso que o canibalismo do consumo
deflora o intelecto
aflora o egoismo
incita a vaidade repugnante dos homens pequenos
que se acham tão grandes
por querer ter mais do que ser.
Sou agricultora dos verdadeiros sorrisos
aqueles que alargam o espírito
que só brotam em terras vivificadas, férteis
abundantes de amor e viçosas de esperança.
Sou tecelã da grandeza da alma perceptível,
que labora incansavelmente,
principalmente através da gentileza;
esses fios nobres, tão raros
tecidos pela humildade, pela boa educação.
Sou artesã da felicidade
aquela que trabalha com restaurações, reciclagens.
Fascina-me auxiliar na transformação de seres aparentemente inanimados, tristes, sem esperanças...
jogados de qualquer jeito, esquecido no quintal junto com entulhos...
acredito que todos os que sentem-se pequenos lixos humanos
são, na verdade, tesouros, relíquias impagáveis
que não descobriram o devido valor mediante o que já sofreram.
Porém, após cuidado, atenção e muito carinho,
transformam-se em valiosas obras da arte de si mesmo.
Sou mestre de obras das sólidas edificações,
Pescador dos sentimentos verdadeiros,
Gari das energias deletéreas.
Sou tão comum, tão sensível, tão frágil
mas torno-me especial e forte
mediante a vontade de fazer e ser cada vez melhor.

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